“Ser de esquerda era acreditar em liberdade e justiça social e não sinônimo de vagabundo e corrupto, como agora em que ser ‘direita’ está na moda…”

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Papo reto: Ronei Silva.

Perigo Vermelho (O “bom” está no meio e não tem lado)

“Ser de esquerda era acreditar em liberdade e justiça social e não sinônimo de vagabundo e corrupto, como agora em que ser ‘direita’ está na moda…”

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Nada como uma xícara de café e uma boa provocação pra começar o dia pensando. Um cidadão chamado Diego Rox publicou um vídeo no facebook (https://youtu.be/HfcfpZGyPyI) misturando tantas coisas que recorro a um trecho bíblico que me ampare: “é preciso separar o joio do trigo”. Devia gravar um vídeo, mas não sou capacitado, então vai “textão” mesmo, que ninguém lê (é provável), mas me deixa aliviado. E me amparo em outro trecho bíblico pertinente: “milhares cairão à minha direita, milhares cairão à minha esquerda”. Quem sou eu? Eu sou o centro!

Começo afirmando que não defendo ninguém nem nada que não seja o bom senso e o respeito. Aliás, se fosse hoje, Jesus com todos os seus seguidores mudaria seu perfil para “respeitai o próximo como a ti mesmo”, pois amar uns aos outros é cada vez mais impraticável. Basicamente, o vídeo desse cidadão tenta desqualificar o trabalho do filósofo alemão Karl Marx, mentor do socialismo mundial, quem ele começa chamando de demônio responsável por todas as mazelas da esquerda planetária. Como argumento, cita fatos da vida pessoal do filósofo, como pedras moralistas de quem não tem pecado.

Ao contrário do que se vê agora na fala dos recém politizados, 35 anos atrás, quando começava meu interesse por política, com apenas 7 anos de idade (sei que é anormal, acho que nasci assim), de esquerda éramos todos que se indignavam perante a injustiça social, causada entre outras coisas pelo fato de que 1% da população (mais rica) fica com 50% do dinheiro, enquanto 50% (mais pobre) não chega a 10%. Dados atualizados e no Brasil é ainda pior. “O resultado todo mundo já conhece, o de cima sobe e o de baixo desce” (Não resisti!). E de lá pra cá só piorou, mas não vem ao caso agora.

Fato é que ser de esquerda era acreditar em liberdade e justiça social e não sinônimo de vagabundo e corrupto, como agora em que ser “direita” está na moda. Era ser contrário à concentração abusiva do capital para uma minoria e distribuição da miséria para a maioria. O termo Capitalismo, aliás, deriva dos estudos de Karl Max e de duas de suas obras mais significativas “o Capital” e “O Manifesto Comunista”, que serviram de base para implantação do comunismo em várias partes do mundo. De qualquer forma, entre ser explorado e vagabundo, não resta dúvida que ficaria com o segundo.

No entanto, circula há algum tempo a tese de que o filosofo era infeliz, imprestável e vagabundo, nunca tendo trabalhado e explorado a esposa até a falência, o que teria matado quatro de seus sete filhos por desnutrição. Acontece que seus estudos foram feitos em plena revolução industrial, quando a exploração do trabalho se tornava sistêmica, análoga à escravidão e perdura até os dias atuais, com a diferença de que não é preciso obrigar as pessoas a trabalhar pela força, mas pela falta de opção e controle dos meios de produção. Como acontece até hoje com quem se opõe ao sistema, foi massacrado por ele, expulso de vários países e de seus empregos, e não foram poucos. Uma simples pesquisa no Wikipédia comprova o que estou relatando.

Marx também é criticado por ter previsto a luta de classes que levaria à revolução armada, obviamente, como única forma de tomar o poder pelo proletariado. Revoluções que ocorreram em várias partes do mundo e acabaram em massacres, abuso de poder e regimes ditatoriais. Afinal, o ser humano não é comunista ou socialista por natureza, ao contrário, é egoísta e centralizador. Uma criança toma o objeto do desejo de outra criança assim como a galinha mais esperta rouba o alimento da outra e o cachorro mais forte come primeiro. Não por acaso, são como nós: animais (do contrário, seríamos minerais ou vegetais, não resta opção). Diante de nossa natureza egocêntrica, regimes comunistas após conquistar o Estado pela força, sucumbem ao poder absoluto e se esquecem de libertar o homem do próprio homem, fundamento das idéias revolucionárias, algo que não foi previsto por Marx.

Infelizmente pra nós, tudo isso nos afasta da verdadeira revolução que seria a vitória da luz do conhecimento sobre as trevas da manipulação, da ignorância e das idéias radicais. Mais longe do entendimento e do bom senso, somos levados a escolher entre os extremos, quando o ideal é o caminho do meio ou um pouco mais pro lado. E a esquerda brasileira não fez diferente, ajudou sim a quebrar o Brasil que sempre foi roubado por um e passou a ser roubado pelos dois lados. Acreditando que os fins que justificam os meios, lembrando outro filósofo, dessa vez italiano, Nicolau Maquiavel.

Um sujeito que dedicou a vida (e pagou com ela) pra entender o mundo em que vive não merece ser desqualificado de forma irresponsável. Pelo fim do pensamento raso, em busca do verdadeiro entendimento, laico, apátrida e apartidário!

 

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