Temer e aliados se mobilizam para encher plenário da Câmara

Parlamentares que defendem Temer não deveriam ser reeleitos, para 79% dos entrevistados (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
Parlamentares que defendem Temer não deveriam ser reeleitos, para 79% dos entrevistados (foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)
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Governo corre para ter o quórum necessário na Câmara para a votação da denúncia da PGR contra Michel Temer por corrupção

Brasília – Dois dias antes da votação decisiva em que Michel Temer poderá se tornar o primeiro presidente em exercício réu na Justiça, o peemedebista buscou demonstrar tranquilidade aos interlocutores.
Nesta quarta-feira (2), o plenário da Câmara apreciará a denúncia de corrupção passiva feita contra Temer pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O deputado federal Danilo Forte (PSB-CE), após reunião no Planalto, contou que o presidente estava “muito tranquilo”.

Segundo ele, o governo tem pressa e quer virar logo essa página. “Temer quer começar um novo momento do governo e pretende deixar um legado com as medidas reformistas, e, assim que barrar a denúncia vai encaminhar a proposta da modernização tributária”, disse.

Mas, para virar essa página, é preciso quórum de 342 dos 513 parlamentares da Câmara para abrir a sessão para a votação amanhã. E essa é a grande barreira enfrentada pelo peemedebista. Fontes palacianas evitam falar oficialmente em números e não comentam sobre as divisões no PMDB e no PSDB.

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Pelas estimativas de parlamentares governistas, Temer conseguiu reunir 250 votos favoráveis ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que é pela rejeição da denúncia e contra o afastamento do presidente. Esse número é suficiente para evitar que o processo seja enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas não garante a votação.

A queda de braço pelo quórum foi motivo para marcar reunião emergencial no Palácio da Alvorada, no fim de semana, para a contagem de aliados, opositores e indecisos. Já está certo que os ministros que têm mandato na Câmara deixarão seus postos temporariamente e voltarão ao plenário nesta quarta-feira (2) para votação.

“O governo sabe que precisa mobilizar a base, mesmo que informalmente, para conseguir o quórum para abrir a sessão. Não é sua tarefa, mas será um sinal de força se ele conseguir iniciar a votação”, avaliou o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Ele lembrou que Temer ainda precisará enfrentar as próximas denúncias da PGR que estão por vir. “Vai ser um desgaste atrás do outro e, certamente, será difícil aprovar a reforma da Previdência, que disputará preferência com a reforma política que deverá entrar na pauta devido ao calendário eleitoral”, alertou.

ANÁLISES As previsões são de vitória de Temer. Para a Arko Advice, haverá quórum amanhã para a votação e o apoio ao presidente será de 257 a 270 deputados, podendo chegar a 285.

As estimativas da consultoria Eurasia Group são de que 250 a 270 deputados votarão a favor de Temer, “com potencial de esse número ser maior”. “O importante será o resultado dessa votação. Se o governo conseguir mais de 257 votos, ele conseguiu manter certa unidade na base terá menos dificuldade para aprovar as reformas. Mas, se barrar da denúncia com menos de 257, criará uma dinâmica desfavorável”, afirmou o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

O líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), disse que a oposição vai propor quórum acima de 400 parlamentares para que a votação da denúncia seja aberta. Em campanha para esvaziar o plenário, o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE) enviou mensagens em aplicativos tentando convencer colegas a faltarem à votação.

Cerca de 200 dos 513 deputados devem votar contra o presidente, mas 63 ainda estão indecisos. Nos bastidores da República, comenta-se que Temer trabalha para convencer pelo menos 20 deputados para ter uma margem superior ao mínimo de 172 para barrar a denúncia.

As moedas de trocas seriam as emendas parlamentares e a distribuição de cargos públicos, ambas denunciadas pela oposição ao Ministério Público. “O governo precisa de apoio a qualquer custo, e isso vai causar um retrocesso de 100 anos no Brasil”, alfinetou o deputado Ivan Valente (PSol-SP). Como resposta, fontes do Planalto disseram que estão sendo liberadas emendas “para todos os partidos”, inclusive, os da oposição.

Fonte: Estado de Minas

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